Não, por favor, não quero nem de longe, me comparar ou se quer ter a ousadia e pretensão de acreditar que seria dotado de tal capacidade, mas o que me chama a atenção nesta célebre frase, é a verdade intrínseca, que está tão maravilhosamente exposta e ao mesmo tempo, escondida.
O filósofo e matemático, Rene Descartes, (1596 - 1650), após duvidar de sua própria existência percebe algo verdadeiramente sublime acontecendo consigo, a incrível e mais surpreendente capacidade humana, inerente até mesmo ao próprio ser, a arte de pensar. Duvidar, pensar e logo, existir.
Somos dotados da arma mais poderosa que o homem jamais construiu, ou se quer poderá fazê-lo, o pensamento. Nada nem ninguém, pode a não ser que eu deixe, dominar, roubar, destruir, conturbar, escravizar meu pensamento.
A dádiva do pensamento e da existência pertencem a mim, eu particularmente acredito que me foi dada por um Deus, que diga-se de passagem, muito generoso já que segundo minhas crenças, sendo Ele, a essência de tudo que há, não foi egoísta ao dar ao ser humano essa benção, pensar e existir.
Mas o que me leva a escrever sobre esta maravilha, é um fato que tem me chamado a atenção principalmente nesses últimos dias. O homem deixou de existir.
Talvez você possa pensar que estou querendo filosofar sobre o assunto, mas na verdade não é. O que está por traz desta afirmação, são as verdadeiras abnegações do ser humano do seu direito de pensar, do seu direito de existir.
Hoje, somos bombardeados por todos os lados de informações, de propagandas, de mensagens nos dizendo o que beber, como nos vestir, o que comer, como nos comportar, que carreira seguir, em quê acreditar, em quem acreditar. Tudo isso muitas vezes ou na grande maioria delas, sem nem levarem em conta nossa cultura, nossas crenças, nossos gostos pessoais, ou seja, sem nos levar em consideração alguma.
Se Descartes, estivesse aqui, ele com toda certeza passaria por uma nova crise existencial, ao perceber que o ser humano abriu mão do seu bem maior, duvidar, questionar, se fazer existir.
O bem maior que podemos desfrutar é o bem da existência, o bem do pensar, o bem de decidir por convicções próprias, o que e quando quero, em que e em quem acreditar, temos em nós as faculdades que nos capacita através do conhecimento, o poder da decisão por nossas vidas, nossas crenças, nossos ideais, nossos anseios e até nossas utopias.
Não sejamos massa de manobras dos "letrados", dos "líderes", das "circunstâncias", das "propagandas". Façamos sim, uso do direito existencial, façamos uso do nosso direito de duvidar, pensar e existir.

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