quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Mercado de Trabalho X Habilidade


Estamos vivendo dias de desemprego em massa, isto por conta da crise financeira mundial que temos vivido, pelo menos é o que gostamos de pensar ou é a desculpa que usamos para nos apoiar buscando assim, um certo consolo para nós mesmos e também para os outros.

É “estranho” quando olhamos os inúmeros anúncios de jornais, sites, e outras mídias, oferecendo as mais diversas vagas de emprego, enquanto estão sendo anunciadas nessas mesmas mídias, demissões em massa. O que está acontecendo? Afinal, temos ou não temos emprego? Como se explica tão contraditória informação?

Por mais confuso que possa parecer a resposta é bem simples. Ao vermos uma vaga de emprego não importando a área, nos deparamos com algumas exigências, para que essa seja preenchida. Estamos começando a decifrar o “enigma”. Quando vemos ou ouvimos qualquer anúncio de emprego, são mais ou menos assim os termos usados:

“Precisa-se de pedreiro; Exigências: Boa aparência, segundo grau completo, experiência em grandes construções no mínimo dois anos, que tenha disponibilidade de horário, que possa trabalhar aos sábados, etc”. E normalmente, o salário não é lá tão satisfatório. É interessante notar que, em alguns sites eles registram até o tempo em que a vaga está em aberto, e percebemos em alguns casos e não são poucos, que a vaga está em aberto a um bom tempo.

Mas, você já parou para pensar que o Mercado de Trabalho, sempre foi exigente desde quando o ser humano passou a prestar qualquer tipo de serviço? Vejamos alguns exemplos desde o tempo dos Faraós.

Após José, ter revelado ao Faraó o que Deus iria fazer à terra ou seja, sete anos de fartura e sete anos de fome, José, o aconselha com a seguinte instrução: Gênesis 41.33 “Portando, Faraó se proveja agora de um varão inteligente e sábio e o ponha sobre a terra do Egito”.

Se nós trouxermos a situação para os dia de hoje, sem sairmos do contexto bíblico, poderíamos dizer que, Faraó, estava precisando de uma pessoa gabaritada, uma pessoa que atendesse às exigências necessárias para ocupar um cargo de extrema importância e com urgência.

Requisitos, que essa pessoa precisaria ter: inteligência e sabedoria. Faraó, então está diante de um dilema: Gênesis 43.38 “E disse Faraó a seus servos: Acharíamos um varão como este, ...”. Pelo que podemos perceber, desde os tempos mais antigos já se faltava mão de obra qualificada para o trabalho.

Se olharmos com carinho o que a Bíblia Sagrada tem a nos ensinar sobre capacitação profissional, perceberemos que em qualquer situação, onde se necessitava de pessoas para desenvolver qualquer serviço, fosse na Casa do Senhor, ou em qualquer outro segmento mercadológico, sempre era feito o mesmo tipo de “exigência profissional”, habilidade.

Vejamos alguns exemplos para termos uma noção mais ampla sobre o assunto: Gênesis 47.6 “A terra do Egito está diante de ti:..., Se sabes que há entre eles alguns homens hábeis, faze-os maiorais dos pastores do meu gado”. Êxodo 28.3 “Falarás tu a todos os homens hábeis, a quem enchi do espírito de sabedoria, para que façam as vestiduras de Arão para o santificar, ...”. Êxodo 35.25 “Todas as mulheres que eram hábeis, fiavam com as suas mãos, e traziam o que tinham fiado,...”. Jeremias 9.17 “Assim diz Jeová dos exércitos: Considerai, e chamai as carpideiras, para que venham, e mandai buscar as que são hábeis, para que venham”. Existem ainda outros textos que poderíamos buscar informações sobre o assunto e com sinônimos do tipo perito, capazes, aptos.

Quando olhamos para o significado da palavra hábil, vemos a seguinte definição: “Que tem capacidade para fazer uma coisa com perfeição e conhecimento do que executa; competente” - Dicionário eletrônico Michaelis – Site Uol.
Isto me faz pensar o seguinte: “Estamos mesmo passando por uma crise de desemprego, ou por uma crise de falta de habilidade? Como podemos perceber nos textos citados acima, até Deus, faz exigências para que se possa prestar serviços a Ele.

O motivo pelo qual escrevo sobre o assunto, é para que eu possa entender de uma vez por todas que orações não são “palavras mágicas”, que abrirão as portas ou as janelas dos céus ou farão com que a mão de Deus se mova a meu favor, da maneira que acho que deve ser, e como muitos líderes tem ensinado nos dias de hoje.

Durante muitos anos de minha vida vivi enganado, acreditando piamente que bastaria eu orar, fazer algumas campanhas disso ou daquilo, fazer votos para que Deus, se manifestasse de sua glória a meu favor, fazendo com que as portas do emprego se abrissem, fazendo com que eu recebesse promoções, aumentos de salários e coisas assim. Estas coisas nunca aconteceram e comecei a ficar frustado com Deus, passei a acreditar que Ele não me ouvia, que eu não era merecedor, que os irmãos que davam seus “testemunhos milagrosos” eram santos e eu não, foram dias muito difíceis.

Tudo mudou quando voltei a trabalhar depois de ter passado um período desempregado e vivendo de “bico”, numa empresa em uma área que jamais havia trabalhado. Ao entrar nessa empresa, decidi logo de início mudar algumas atitudes minhas em relação ao trabalho. Em primeiro lugar fiquei mais focado no trabalho ou seja, em aprender, em me desenvolver, em buscar oportunidades que pudessem aparecer dentro da empresa. Para isso, como era uma área totalmente nova para mim, fui então pesquisar sobre, li e continuo lendo muitos livros e artigos, o resultado é que, este não é um “testemunho milagroso”, em dois anos nesta empresa fui promovido duas vezes, minha primeira promoção veio aos 8 meses de empresa e a segunda veio 10 meses depois de ter assumido o cargo anterior. Confesso que fiquei sem entender como porque em outras ocasiões onde orei, participei de “atos proféticos”, fiz votos e tudo mais, não consegui resultados, e de repente quando não fiz nada disso, as coisas passaram a acontecer? Como Deus, não é Deus de confusão, estava eu lendo sua palavra quando Ele, me chamou a atenção para duas palavras registradas por Salomão no livro de Provérbios 1.5 “Ouça o sábio e cresça em prudência; e o instruído adquira habilidade”. As palavras são: instruído e habilidade, é fácil entendermos que, quanto mais instrução alguém tenha sobre qualquer coisa, mais habilidade ela terá, e também é fácil de entendermos porque pessoas habilidosas em qualquer área são as mais bem pagas, são as que mais tem prestígios, são as que recebem premiações, promoções, etc. Quero deixar algo muito claro, não quero que ninguém pense que se trata de algo “mágico”, de “orações”, de “atos proféticos” ou coisas desse tipo. Poderia discorrer sobre as habilidades que os homens da Bíblia tinham, para que fossem bem sucedidos como foram, não nos enganemos achando que conseguiram seus feitos através de “poderes sobrenaturais”, ou “unções de todos os tipos” como as que vemos hoje, Deus, usou o que cada um tinha de melhor para torná-los o que cada um foi. A grande verdade ou “segredo” como queira é que, adquirir habilidade não é fácil, não se consegue através de orações, não se consegue através de unções ou de “atos proféticos”, habilidade só é possível através da instrução, e seu aperfeiçoamento só é possível através da dedicação. Então quer dizer que Deus, não tem participação nenhuma e o mérito é todo meu? Óbvio que não, Deus em sua infinita misericórdia, já nos capacitou intelectualmente, Ele é o Senhor que abre as portas onde não há porta, mas enriquecer e usar a capacidade intelectual ou atravessar a porta, é a parte que cada um faz somente se quiser. Salomão faz uma observação com uma expressão um tanto quanto forte em Provérbios 1.7 “O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino”. Salomão fala sobre temor, sabemos que temor ao Senhor é reverenciá-lo e reverência está ligada a respeito, pode discordar se quiser fique à vontade, mas isso me faz pensar que quando não uso meu intelecto, estou desrespeitando a Deus, pois não estou dando o devido valor ao que Ele me deu e ao que me faz segundo sua imagem e semelhança, a capacidade de ser e pensar. Outro ponto que chama minha atenção é quando ele, Salomão, chama de louco a quem despreza a sabedoria e o conhecimento, diferentemente e num outro contexto, quando vemos na Bíblia a expressão louco, não é insignificante ou sem efeito como quando fazemos alguma brincadeira. Quando esta palavra está registrada onde está, seu efeito é bem diferente e muito mais profundo do que possamos imaginar ou discorrer, Salomão, não escolheu esta palavra de maneira aliatória, faça uma reflexão sobre de o por quê ser chamado de louco ao menosprezar a sabedoria e o conhecimento.

Estamos vivendo uma crise mundial sim, mas acredito que mais uma crise no âmbito pessoal do que mercadológico. Líderes religiosos que contaminam seus liderados ensinando-os buscarem “unções” que não existem, ensinando-os a viverem numa dependência de “orações” como se fossem palavras mágicas que farão com que Deus, saia do seu trono e venha pessoalmente resolver as limitações de cada um e se isso não der resultado, temos ainda os “atos proféticos”.

A bem da verdade é que, se Deus, que é um ser tão misericordioso, que não faz acepção de pessoas, é exigente quanto ao trabalho dedicado a Ele, no tocante às pessoas que são chamadas para fazê-lo, isto então me faz perceber que não adianta usar a crise instalada no mundo para justificar minha falta de desenvolvimento profissional, minha falta de oportunidade, minhas promoções que não chegam, ... Afinal Ele, através de seus ensinos me mostra o caminho que devo percorrer, não posso me iludir acreditando que será fácil mas, posso ter a certeza que se quiser percorrê-lo, já estou capacitado para ter bom êxito.

Que Deus o Grande capacitador de homens e mulheres derrame sobre cada um de nós, seu Espírito de sabedoria sempre e sempre. Amém.

Cleiton R.

Nenhum comentário:

Postar um comentário